Só a luta muda a vida! Resistência dos servidores municipais mostra o caminho para derrotar os tucanos

17/04/2018 Destaques, Notas, PSOL, São Paulo

Depois de apenas 15 meses à frente da Prefeitura de São Paulo, João Doria abandonou o cargo de prefeito para concorrer novamente às eleições. Neste período, tentou impor diversos ataques à população paulistana, como: um pacote de privatizações dos serviços e equipamentos públicos; “ração humana” como merenda nas escolas; ações violentas e truculentas da Polícia Militar e da GCM na região da “Cracolândia”; desmantelamento de programas como o Braços Abertos; proposta de cortes de centenas de linhas de ônibus na nova licitação do transporte público municipal; o congelamento do orçamento de pastas como a da cultura, e a tentativa de aprovar uma “Reforma da Previdência” para os servidores públicos municipais; apenas para falar de algumas das polêmicas.

Mas o “prefeito-gestor” não contava com a mobilização popular em sua equação privatista e de corte de direitos. Muitas de suas medidas não tiveram sucesso e não seguiram adiante por completa falta de aprovação popular, como no caso da “ração humana” na merenda escolar. Foi o caso da “farinata” para as crianças e para as pessoas em situação de rua, inclusive, que acabou com as chances de João Doria se lançar candidato à Presidência da República pelo PSDB. A ocupação da Secretaria da Cultura em 2017 contra o congelamento dos recursos para a Secretaria de Cultura e a ocupação da Câmara Municipal por diversos movimentos de juventude contra o pacote de privatizações de João Doria e as restrições ao passe livre estudantil foram exemplos de mobilizações que impuseram recuos e desgastes aos planos da gestão de João Doria.

O exemplo mais emblemático foi o da heroica greve de mais de 20 dias, os servidores públicos municipais colocaram 100 mil pessoas em frente à Câmara Municipal, além de uma ocupação permanente em frente ao Legislativo municipal, para barrar a aprovação do SampaPrev, que aumentava a contribuição previdenciária dos servidores e dificultava a aposentadoria. Os vereadores não tiveram coragem de votar a proposta com a Câmara cercada de povo e engavetaram o projeto por pelo menos 4 meses.

Este caso mostra mais uma vez como o parlamento e as instituições do Estado não são impermeáveis à pressão popular. Quando o povo se mobiliza, movem-se estruturas. Importante registrar também a participação fundamental nesta luta da bancada do PSOL na Câmara Municipal, composta por Toninho Vespoli e Sâmia Bomfim. Mas a mobilização dos servidores foi decisiva para barrar este retrocesso.

Agora os tucanos seguem no poder através de Bruno Covas na Prefeitura de São Paulo, e a mobilização contra as medidas desta gestão segue sendo fundamental. Márcio França, à frente do governo estadual e o ilegítimo Michel Temer à frente do governo federal completam esta tríade que seguirá tentando retirar os direitos da população em uma escalada cada vez mais autoritária do regime político. O PSOL São Paulo seguirá firme na oposição aos três governos e não dará trégua aos golpistas, tucanos e seus similares!

Nossas pré-candidaturas, como a de Lisete Arelaro e Maurício Costa  ao governo do estado de SP, de Daniel Cara e Silvia Ferraro ao Senado Federal, assim como nossas pré-candidaturas proporcionais e a pré-candidatura à Presidência, composta por Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, deverão se tornar trincheiras de luta para combater os ideais conservadores, autoritários, elitistas e privatistas que serão expressos por diversos candidatos na disputa eleitoral, como João Doria na disputa ao Palácio dos Bandeirantes e Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro na corrida presidencial.

O PSOL é parceiro dos lutadores da cidade e está presente nas lutas sociais e em defesa dos direitos da população. Além da presença na disputa do SampaPrev, o PSOL estava presente na luta dos trabalhadores da cultura, na luta contra o fechamento das AMA’s e pela manutenção da distribuição de remédios nos postos, na disputa pelo território da Luz (mal chamado de “Cracolândia”) e pela criação de parques na cidade (Parque Augusta, Parque dos Búfalos, Minhocão). Destaque também para a Frente Povo Sem Medo e para o processo de territorialização, com organização local e intervenção prática, que também conta a participação da militância do PSOL.

Outra tarefa fundamental do nosso partido na cidade, que não está alheio aos fatos políticos nacionais, é seguir firme nas ruas para exigir que o brutal assassinato de Marielle Franco, vereadora do PSOL Carioca, e Anderson Gomes, seja elucidado. Este fato aconteceu em meio a ilegítima intervenção militar do Rio de Janeiro, que era veementemente repudiada por Marielle. Queremos saber quem matou Marielle e nosso partido fortalecerá todas as iniciativas unitárias e de massas entre movimentos, partidos e entidades e ativistas que mantenham este caso vivo na memória nacional e exigindo respostas, como foi o Amanhecer por Marielle e o ato por justiça à Marielle que aconteceram no último sábado (14). Também registramos nosso repúdio à prisão política e condenação sem provas do ex-presidente Lula, que é mais um episódio do agravamento da escalada conservadora e autoritária que acontece no país e serve apenas para inviabilizar sua participação no pleito eleitoral deste ano.

 

Diretório Municipal do PSOL São Paulo

São Paulo, 16 de abril de 2018