VITÓRIA: Cotas raciais são aprovadas na USP para 2018

05/07/2017 Destaques, Direitos Humanos, Racismo, São Paulo

cotasusppppDepois da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ter aprovado as cotas raciais em seu processo seletivo no último dia 30 de maio, na noite da última terça-feira (4) caiu o último bastião do conservadorismo das universidades paulistas: a Universidade de São Paulo (USP) aprovou o sistema de cotas étnico-raciais e sociais em seu vestibular já para o ano de 2018 em longa reunião do Conselho Universitário.

Todas as unidades da USP, tanto na capital como no interior, terão agora alunos cotistas. Já no processo seletivo para o ano que vem, 37,5% das vagas na Fuvest serão destinadas a pessoas advindas de escolas públicas. Destas vagas, 37,2% serão destinadas a pessoas autodeclaradas pretas, pardas e indígenas (PPI). O número representa a porcentagem da população paulista que se autoidentifica como preta, parda ou indígena, segundo o IBGE. Em 2019 o número de vagas através de cotas chegará a 40%, em 2020 serão 45%, até o ano de 2021, quando 50% dos ingressantes na USP serão alunos que estudaram em escolas públicas durante o ensino médio, mantendo dentro destas vagas a porcentagem de cotas raciais segundo o IBGE.

A aprovação desta medida em uma das últimas universidades públicas do Brasil que ainda não aplicava o sistema de cotas é uma importante vitória dos movimentos negro e indígena dentro e fora da USP. O advogado, professor universitário e presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio Almeida, comemorou a vitória em suas redes sociais. “E importante que a vitória de hoje seja comemorada, pois é o resultado do trabalho e do esforço de muitas pessoas que nos antecederam, algumas que não mais pertencem à USP, outras que jamais tiveram chance de fazer parte dela”, exaltou o professor negro formado pela USP. “O que tornou isso possível foi a Política. A grande Política, com “P” maiúsculo, que dentro ou fora de organizações, se revela como dimensão inevitável da vida social”, concluiu.

O presidente do PSOL estadual de São Paulo e militante do movimento negro através do Círculo Palmarino, Juninho, reafirmou a importância desta conquista para os negros e negras. “A implantação de cotas raciais na USP é a sua primeira abertura verdadeiramente democrática, pois é a primeira fissura que se abre dessa barreira que parecia intransponível e que rompe o cordão umbilical com a elite cafeeira, oito décadas depois do seu surgimento, fruto de uma luta histórica do movimento social negro que nunca deixou apagar o histórico de escravismo, o racismo estrutural e a necessidade de reparações”, afirmou em sua coluna na Revista Fórum.

Outro ativista que exaltou a conquista do movimento negro e indígena foi o professor de jornalismo na USP, Dennis Oliveira. “Meu desejo é ser professor dos filhos e filhas da Rosângela Dos Santos Costa, do Reginaldo Santos da Luz, da Aline Salles de Oliveira, da Camila De Oliveira, da Luka Franca, do Douglas Belchior, do Joselício Junior e de tantos outros e outras. A USP VAI FICAR PRETA!!!”, comemorou em suas redes sociais e em seu blog no portal da Revista Fórum.

O professor Silvio de Almeida também relembrou que esta vitória deve vir seguida de muito mais mobilização. Para ele, um novo momento se inicia: “agora começa uma nova etapa na luta por uma universidade pública de qualidade e, consequentemente, mais democrática. É preciso agora pensar em como as cotas serão implantadas e quais os mecanismos de controle social e acompanhamento do programa. Sem esses pontos bem amarrados, pode-se estar diante de uma ilusão”, afirmou ao mesmo tempo em que pontua a necessidade de pensar um projeto político consistente para o país. “Ademais, a decisão de hoje faz do desmonte da universidade pública, da relação entre educação e economia e da urgência de um projeto político para o Brasil pautas obrigatórias do movimento negro”, finaliza.