Artistas, movimentos sociais e mais 100 mil pessoas saem às ruas para exigir eleições diretas em São Paulo

05/06/2017 Destaques, Diretas Já, Fora Temer, Greve Geral, PSOL, São Paulo

18921784_1418989174827684_3830286868236474401_nUma multidão de jovens, crianças, idosos tomou o Largo da Batata durante todo o domingo (04/06) em um ato histórico que exigiu a saída imediata de Michel Temer da presidência e a convocação de eleições diretas para a Presidência da República. A #SPDiretasJá foi convocada por diversos artistas, blocos de carnaval, movimentos sociais da cultura e colocou 100 mil pessoas nas ruas de São Paulo exatamente uma semana depois de ato semelhante ter acontecido na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, e ter levado mais 150 mil pessoas às ruas.

Esta sequência de atos mostra cada vez mais que o presidente Michel Temer não tem mais condições de permanecer presidindo o país. É necessário colocar o protagonismo popular em destaque e realizar eleições diretas. Nomes consagrados da música, como Emicida, Péricles, Tulipa Ruiz, Pitty, Edgard Scandurra, Paulo Miklos, Maria Gadú, Otto, Rael, Criolo, Simoninha, Mano Brown, e tantos outros, concordam com esta avaliação e estão colocando sua arte à disposição desta causa. Blocos de carnaval importantes na vida cultural da cidade, como o Acadêmicos do Baixo Agusta, Ilú Obá de Min, Tarado Ni Você, entre outros que colocam centenas de milhares nas ruas da cidade durante o Carnaval, estiveram à frente da organização deste ato e contribuíram com apresentações.

18921681_1418414411551827_5235274765964630928_nO rapper Emicida, que subiu no palco do ato no início da tarde, já mostrou qual seria a tônica política do ato: “A base desse sistema somos nós, vamos nos mover para acabar com esse sistema. (…) Não só aqui onde a bala é de borracha, mas também na beirada, onde a bala é de verdade; é importante se mover”, disse o músico paulista da Zona Norte paulistana.

O ato teve espaço para falas de representantes dos movimentos sociais também, intercalados às intervenções artísticas. Guilherme Boulos, coordenador-nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), relembrou a mobilização por eleições diretas de 1984. “Quando há 35 anos atrás teve o primeiro comício pelas Diretas Já, na Praça Charles Miller, ele não estava tão grande. Mas depois, quando entraram na luta os movimentos, artistas, músicos e a diversidade da sociedade, o Diretas Já cresceu e foi capaz de derrotar a Ditadura Militar naquele momento. Por isso cumprimento a iniciativa de todos que organizaram este ato, porque sem ampliar a nossa voz não vamos derrubar Temer e nem conquistar diretas”, reforçou o ativista.

O militante do Círculo Palmarino, Bira Santos, também falou da importância de combater os que apearam o poder ilegitimamente e querem disseminar cada vez mais seus ideais conservadores e preconceituosos.  “O golpe foi dado e a Casa-Grande está instalada no poder. Morte à Casa-Grande! Vivemos em tempos de ódio e intolerância, precisamos lutar junto aos movimentos organizados contra a despolitização e por nossos direitos”, disse em fala inflamada e que agitou o público no Largo da Batata.

18951068_1418431921550076_185687390450568369_nO sambista Péricles também esteve presente durante a tarde do domingo no ato e mandou o recado entre as músicas que cantou. “Eu acredito na mudança, eu acredito que a gente tem que se ligar neste tipo de coisa. Acabou esse tempo da gente ficar alheio à política, ao que acontece; e a gente tem que tomar uma diretriz da existência da nossa própria vida”, disse.

O secretário-geral da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, Índio, também esteve presente no ato e avaliou a importância de amplificar a luta contra o governo federal e suas medidas antipovo. “Toda a manutenção do governo Temer ou a movimentação do grande capital por eleições indiretas servem para fazer a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e acabar com os direitos dos trabalhadores. A luta neste momento é por direitos para todos, Diretas Já e por um modelo de desenvolvimento que reduza o desemprego e recoloque o país no caminho do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida do nosso povo”, afirmou Índio. “Isso tudo não se dará a não ser que os trabalhadores e a juventude construam uma grande greve geral no próximo período!”

O deputado federal pelo PSOL-SP, Ivan Valente, também esteve presente e vê com ótimos olhos a união entre o povo, artistas, intelectuais e todos os setores que levantam sua voz exigindo eleições diretas. “O povo de São Paulo está na rua hoje com muita garra, com muita fibra e com muita alegria pelo fora Temer e pelas diretas já. Na verdade, os artistas e os intelectuais estão impulsionando e expandindo essa luta, porque todos no Brasil perceberam que não é possível que um Congresso formado por pessoas que não têm mais legitimidade, um Congresso que tem 200 investigados na operação Lava Jato e pelo Supremo Tribunal Federal, não tem credibilidade para escolher indiretamente o presidente da República”, disse parlamentar psolista.

18835835_1418495418210393_5286426689524432252_nA militante do PSOL que foi vereadora pelo partido no Março Feminista em São Paulo, Isa Penna, também esteve presente no ato junto ao povo e avaliou a importância deste domingo histórico para a cidade. “Esse é o primeiro dia daquilo que vai ser a abertura de um ciclo de mobilizações para a greve geral de junho. Aqui em São Paulo a gente tá cheio de ideias, construindo a Frente Povo Sem Medo estadual, com núcleos em vários bairros da cidade, e vamos fazer ainda melhor do que a greve do dia 28 de abril”, disse a jovem ativista do PSOL.

A economista Laura Carvalho também esteve no histórico ato do Largo da Batata. “Faz um ano que estamos vendo este parlamentarismo de ocasião onde a classe política decide que programa político e econômico implementar, e isto não está levando o país para a estabilidade. A crise só se aprofunda e a cada mês é um escândalo novo. Só com eleições diretas, com o povo votando, com mais democracia e igualdade, é que vamos conseguir tirar o país desta situação”, avaliou a professora da USP ainda pela manhã do domingo, que ficaria marcado na história da cidade.