ABSURDO! Ex-aluno da Medicina da USP acusado de estupro consegue registro médico

02/06/2017 Direitos Humanos, Mulheres

aluno-medicina-suspenso-estupro-usp-registro-medico-1Daniel Tarcísio da Silva Cardoso, réu em processo judicial por ser acusado de estuprar uma mulher durante uma festa em 2012, conseguiu obter seu registro médico para exercer a profissão através do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco.  Esta absurda decisão vai contra todas as mobilizações de mulheres que aconteceram em São Paulo nos últimos meses e que culminaram com a rejeição de seu registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo antes mesmo dele colar grau.

A Universidade de São Paulo foi palco de muitas destas mobilizações após a divulgação do caso de estupro, que aconteceu durante uma festa da universidade enquanto a jovem estava dopada. A Universidade então, após muita pressão, abriu uma sindicância contra o estudante e que resultou em uma suspensão de um ano e meio. Mas após o período, ele pode terminar o curso e foi diplomado pela maior universidade do país.

Segundo o CRM de Pernambuco, o registro do ex-policial militar Daniel como médico foi aceito após orientação do Conselho Federal de Medicina em abril. Este é mais um caso explícito do machismo presente na estruturas do Estado brasileiro e que os movimentos feministas vêm denunciando ao longo de tantos anos.

Em 2014 uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para apurar os casos de violência na Universidade de São Paulo (USP), principalmente na Faculdade de Medicina. O relatório final da CPI indicou relatos de ao menos 112 estupros, ao longo de 10 anos, apenas nos campi ligados à área de saúde da USP, que ficam em Pinheiros, na zona oeste da cidade.