VITÓRIA HISTÓRICA | Cotas raciais e sociais são aprovadas para o vestibular da Unicamp a partir de 2019

31/05/2017 Destaques, Educação

cotas-raciais-unicampNa última terça-feira (30) o Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou a implementação progressiva de cotas étnico-raciais e sociais no vestibular a partir de 2019 nos cursos de graduação. A universidade finalmente reconhece a importância histórica da alteração do sistema de ingresso que inclua cotas para pretos, pardos, indígenas, além de ingressantes de escolas públicas. A pauta começou a ser negociada entre estudantes e a gestão da universidade após uma das maiores greves estudantis da história da Unicamp entre maio e agosto de 2016.

O programa foi aprovado por unanimidade na tarde de ontem e um Grupo de Trabalho, composto por 13 integrantes, vai elaborar um plano de ingresso de como funcionará o sistema de cotas. Serão dois membros do movimento negro estudantil (Frente Pró-Cotas e Núcleo de Consciência Negra), dois da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), dois do Grupo de Trabalho que realizou audiências públicas sobre cotas em 2016, três do Conselho Universitário (Consu), dois professores da graduação, um servidor técnico-administrativo e um estudante.

Para pressionar pela aprovação da pauta no Conselho, os estudantes fizeram um Ato pelas Cotas na Unicamp, que contou com a participação de servidores, professores e estudantes da universidade, além de presença massiva do movimento negro. O ato começou na segunda-feira (29) e se estendeu também durante todo o dia do Conselho Universitário, que culminou com a aprovação das cotas.

Agora a Unicamp se junta a Unesp, que implementou um sistema de ingresso por cotas raciais em 2014, como universidades estaduais de São Paulo que reconhecem a importância deste tipo de ação afirmativa. Apenas a USP ainda não implementou nenhum sistema deste em seu processo seletivo. Em junho esta proposta poderá ser votada no Conselho Universitário da USP e o movimento estudantil e social já se mobiliza para pressionar pela aprovação na maior universidade do estado.

O presidente estadual do PSOL São Paulo Juninho, também militante do Círculo Palmarino, esteve presente no ato em Campinas durante todo o dia do Conselho Universitário e comentou o resultado da mobilização. “É uma vitória do povo brasileiro, uma vitória da democracia o que aconteceu hoje. É uma vitória daqueles que tombaram lutando por liberdade neste país”, disse o dirigente do PSOL. “Acessar a universidade é fundamental e importante dentro da democracia, e parcela significativa da população desse país foi historicamente excluída destes espaços de produção de conhecimento. Vamos começar de fato a democratizar e tingir de povo, de preto, de periférico, uma das maiores universidades deste país”, completou.