PSOL São Paulo repudia as ações violentas de Doria e Alckmin na Cracolândia

25/05/2017 Destaques, Direito à Cidade, Direitos Humanos, Especulação Imobiliaria, João Doria, Notas, PSOL

psol são paulo - cracolândiaO PSOL São Paulo repudia as últimas ações do prefeito João Doria, em conjunto com o governador Geraldo Alckmin, na Cracolândia, que vem se estendendo nesta semana desde o dia 21 de maio (último domingo). A operação no domingo foi extremamente violenta e abusiva, com um efetivo de mais de 900 policiais para reprimir pessoas em situação de vulnerabilidade. Definitivamente esse tipo de ação truculenta não é o melhor caminho para tratar uma questão tão sensível como a dependência química e esta enorme população que vive na Cracolândia.

Não existiu nenhum tipo de diálogo visando algum tipo de negociação ou convencimento que garantisse a integridade das pessoas. Não houve tampouco no local nenhum agente de saúde para auxiliar os dependentes químicos que lá estavam. Não há neste governo, até o momento, nenhum tipo de política pública para tratar esta questão na área da assistência social ao invés de tratá-la apenas como caso de Segurança Pública. Se João Doria afirma que “acabou com a Cracolândia” com este tipo de ação, está totalmente enganado. O problema social persistirá e não será resolvido com mais violência.

Ainda que existissem limitações na política da gestão municipal anterior nesta área do tratamento aos dependentes químicos na cidade, entendemos que ela partia do princípio correto de apostar na redução de danos e na reabilitação do usuário, oferecendo condições minimamente dignas para o tratamento destas pessoas na cidade.

Na terça-feira (23), a Prefeitura seguiu com suas arbitrariedades na tentativa de entregar a região da Cracolândia ao mercado imobiliário mais rapidamente possível, e chegou ao absurdo de derrubar o muro de uma casa enquanto ainda haviam pessoas dentro. Ao menos três pessoas se feriram na ação, que mostra mais uma vez a face totalmente desumana desta gestão. A Defensoria Pública de São Paulo teve de entrar na Justiça para obter uma liminar para impedir o prefeito de expulsar as pessoas de suas casas sem oferecer alternativas de moradia, atendimento médico e tempo para a retirada dos pertences e animais de estimação dos locais. Nem este mínimo de humanidade estava sendo respeitado por Doria.

João Doria também entrou na Justiça para conseguir internar compulsoriamente os usuários de crack da região da Cracolândia. O próprio Ministério Público de São Paulo classificou como uma “caçada humana” e um “pedido esdrúxulo” do prefeito. A política apresentada por Doria para a região é a barbárie completa e o mais puro higienismo que merecem nosso total repúdio. Nem a sua secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, tolerou estas ações e entregou o cargo.

Fica evidente a disposição do prefeito em fazer uma autêntica guerra aos pobres na cidade e de defender a qualquer custo, mesmo que a base de muita violência e completa desumanidade, uma política higienista, onde a sua única prioridade é garantir lucros exorbitantes para o setor imobiliário na região central.

Executiva Municipal do PSOL São Paulo