Povo Sem Medo barra a privatização de São Paulo na Câmara Municipal

21/04/2017 Câmara Municipal, Destaques, João Doria, PSOL, Sâmia Bomfim, São Paulo, Toninho Vespoli

Só a luta muda a vida! Esse mais uma vez é o recado depois que milhares de manifestantes foram à Câmara Municipal nesta terça-feira e impediram que os vereadores votassem a privatização da cidade de São Paulo proposta por João Doria

Foto: Bianca Araújo / Mídia NINJA

Foto: Bianca Araújo / Mídia NINJA

A Câmara Municipal de São Paulo se encheu de povo nesta terça-feira (18). E Povo Sem Medo. Milhares de manifestantes ocuparam o parlamento paulistano para impedir a segunda votação do Projeto de Lei 179/2017, de autoria do governo municipal de João Doria, que dá superpoderes à empresa SP Negócios e à SP Parcerias, voltadas a privatizar e conceder bens públicos à iniciativa privada. É a “liquidação” de São Paulo proposta pelo prefeito tucano. O projeto havia sido aprovado em primeira votação na última terça-feira (11), mesmo dia em que foi apresentado na Câmara Municipal.

A manifestação organizada pela Frente Povo Sem Medo em São Paulo teve início às 16h com concentração na Praça da República e no final da tarde se dirigiu à Câmara Municipal. A votação estava programada para hoje, mas após a ocupação do prédio pelos manifestantes os vereadores recuaram. Uma comissão dos manifestantes então foi formada para se reunir com o presidente da Câmara, o vereador Milton Leite (DEM). Os vereadores Toninho Vespoli e Sâmia Bomfim, do PSOL, assim como Eduardo Suplicy e Juliana Cardoso, do PT, estavam presentes neste grupo que se reuniu com o presidente.

Foi apresentada a necessidade de maior debate deste projeto com a população de São Paulo, que não foi consultada em nenhum momento sobre o projeto. “Os próprios vereadores, muitos inclusive da base aliada e do partido do prefeito, não sabem muito bem do que se trata e dos detalhes deste projeto”, comentou a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) em vídeo na sua página do Facebook.

Após esta reunião a votação então foi cancelada na terça-feira e foi marcada uma reunião para apresentação minuciosa do projeto na manhã desta quinta-feira (20) para uma comissão na Câmara Municipal. Milton Leite também se comprometeu em realizar uma audiência pública sobre o projeto, em data a ser definida, antes da segunda votação do projeto, para que a população possa ser ouvida antes da apreciação pelos vereadores.

A tramitação deste projeto não vem sendo nada clara e democrática. Entre a apresentação dele aos vereadores no dia 11 e ao dia em que ocorreria a segunda votação, passaram apenas sete dias. O PSOL de São Paulo inclusive manifestou seu repúdio ao projeto e à forma atribulada e autoritária que se pretendia tramitá-lo na Câmara Municipal no mesmo dia em que a proposta foi apresentada. Leia o posicionamento aqui!

O vereador Toninho Vespoli (PSOL) denuncia as manobras que vem sendo feitas para acelerar o caminho do projeto na Câmara. “O projeto está passando em toque de caixa por aqui. É normal que a proposta seja votada primeiro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para depois se realizar o Congresso de Comissões (reunião urgente de todas as comissões da Câmara para apreciar um projeto e acelerar sua tramitação no plenário). Dessa vez, o projeto veio para a Câmara e no mesmo dia já estava sendo votado em plenário”, comentou. “Por que o medo do debate? O medo da população informada sobre a proposta?”.

Para Sâmia Bomfim, o que aconteceu nesta terça-feira na Câmara Municipal foi uma lição. “Essa ação hoje que barrou a votação do projeto nos mostrou mais uma vez qual é o nosso único meio de barrar os ataques que o governo do João Doria quer aplicar na população. Com gente na rua e o povo organizado aqui na frente do parlamento pressionando. É só com a luta que vamos conseguir arrancar vitórias como a de hoje!”.