PSOL entra com pedido de cassação do vereador Camilo Cristófaro (PSB), que agrediu Isa Penna

28/03/2017 Bancada Feminista, Câmara Municipal, Destaques, Parlamentares, PSOL, São Paulo

maxresdefaultO PSOL protocolou na Câmara Municipal na noite da última terça-feira (28) um pedido de cassação do vereador Camilo Cristófaro (PSB), que agrediu a vereadora Isa Penna (PSOL) no elevador privativo dos parlamentares.

No processo é apresentada uma série de provas, recolhidas durante a semana passada, de que o vereador promoveu ações de injúria, calúnia e difamação, além de cometer assédio moral e agressões verbais e físicas. Por isso está bem explícito que ele quebrou completamente o decoro parlamentar. Você pode ler a representação completa contra o vereador aqui.

Como apresentou matéria do SPTV 1ª Edição da Rede Globo, uma funcionária da Câmara Municipal foi testemunha do momento em que o vereador chamou Isa Penna de “vagabunda”, “terrorista” e a ameaçou dizendo para “tomar cuidado para não tomar uns tapas na rua”, mas seu depoimento foi retirado do processo de forma completamente arbitrária.

Sete vereadoras da Câmara Municipal, entre elas Isa Penna e Sâmia Bomfim, do PSOL, assinaram uma nota contra o machismo da Câmara dos Vereadores de São Paulo. Você pode ler na íntegra aqui.

ENTENDA O CASO

Na noite do dia 16 de março, uma quinta-feira, a Câmara Municipal foi palco de um fato absurdo: a vereadora em exercício por 30 dias pelo PSOL, Isa Penna, foi agredida verbal e fisicamente pelo vereador Camilo Cristófaro (PSB) dentro do elevador privativo reservado aos parlamentares.

Ironicamente, no momento da agressão Isa Penna estava a caminho de uma reunião para debater a construção de uma audiência pública para debater a violência contra a mulher na cidade de São Paulo. Isa assumiu o cargo de vereadora por 30 dias neste mês de março exatamente para fortalecer a pauta da luta das mulheres, formando uma bancada 100% feminista ao lado da vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) durante a licença de Toninho Vespoli, também do PSOL.

Isa Penna, em seu relato do ocorrido em um vídeo feito na madrugada do mesmo dia em sua página no Facebook contou como ocorreu a agressão: “Nesta quinta-feira (16/3), por volta das 20h, encontrei no elevador privativo dos parlamentares o vereador Camilo Cristófaro (PSB) e o cumprimentei: ‘Tudo bem?’ Ao que ele respondeu: ‘Não, não está nada bem! Com essa boca que você tem, não se assuste se tomar uns tapas lá fora!’ Não bastando isso, me empurrou e me chamou de ‘vagabunda’, numa agressão gravada pelas câmeras de segurança do 1º subsolo da Câmara Municipal”.

Para a vereadora, esta agressão foi uma óbvia resposta à fala que ela havia feito um dia antes no plenário da Câmara, por ocasião do dia de mobilizações contra a Reforma da Previdência, o #15M, na qual disse “que a Câmara Municipal de São Paulo está distante de representar os reais interesses da população, e que tudo lá é negociado”.

Na sexta-feira (17) a vereadora do PSOL conseguiu, após bastante dificuldade, as imagens das câmeras de segurança que registraram a intimidação ocorrida nos corredores da Câmara e foi realizar um Boletim de Ocorrência na Delegacia da Mulher aqui em São Paulo.

A onda de solidariedade à Isa Penna foi praticamente imediata. Em poucas horas houve vídeos de falas em solidariedade por parte da presidente municipal do PSOL Michele Vieira, o presidente estadual Juninho, o vereador Toninho Vespoli, o deputado estadual do PSOL pelo Rio de Janeiro Marcelo Freixo, entre tantas outras.

Michele Vieira, presidenta municipal do PSOL São Paulo, esteve na Câmara Municipal durante toda a sexta-feira para acompanhar o desenrolar do caso com a vereadora Isa Penna. “Precisamos divulgar em todos os espaços este absurdo que aconteceu com a Isa. Menos de dez dias depois de um marcante 8 de março, uma agressão feita a uma mulher dentro das dependências da Câmara Municipal não pode ser tolerada. Nós sabemos que isso acontece nas ruas do Brasil todos os dias, e não seria diferente em um lugar como a Câmara, majoritariamente composta por homens machistas, retrógrados e que não querem abrir mão de seus privilégios”, comentou a dirigente do PSOL na cidade.