Diretório Municipal do PSOL São Paulo publica resolução política sobre o início de 2017

21/02/2017 Destaques, Notas, PSOL

RESOLUÇÃO POLÍTICA DO DIRETÓRIO MUNICIPAL DO PSOL DE SÃO PAULO

whatsapp-image-2017-01-02-at-16-37-2515 de fevereiro de 2017

1. A gestão de João Doria é abertamente neoliberal e conservadora. Ou seja, é privatista e tecnocrática, por um lado, e excludente e preconceituosa por outro. É mais uma expressão das ideias conservadoras da sociedade, da negação à política e das práticas de higienismo social.  O PSOL fará oposição a este governo, na Câmara e nas ruas.

2. Nos seus primeiros dias, o governo investiu principalmente em ações de propaganda, como se o governo e a campanha eleitoral fossem uma só coisa. Doria fantasiou-se de gari, de cadeirante, de usuário de transporte público, em atitude burlesca e para muitos desrespeitosa, pois quer disfarçar a sua real condição de rico e privilegiado e confundir as pessoas que realmente passam dificuldades ou são excluídas.

3. O programa de zeladoria urbana Cidade Limpa confunde ações de limpeza e restauração com ações de limpeza social, remoção de pessoas e trabalhadores urbanos. A guerra contra o pixo, que acabou apagando diversos grafites da cidade, é parte da visão higienista e excludente de cidade, que não vê arte nas manifestações de rua da juventude e que simplesmente apaga aquilo que não gosta.

4. A revisão da política de drogas baseada na redução de danos e a implantação do modelo baseado na internação e nas comunidades terapêuticas é um claro retrocesso. A remoção dos moradores de rua para baixo de viadutos cercados por tela e sem nenhuma preparação anterior deve ser repudiada, da mesma forma que deve ser condenada a permissão para a GCM retirar cobertores e outros objetos pessoais dos moradores de rua. Na mesma direção vai o fechamento das secretarias ligadas ao combate às opressões, como a secretaria de mulheres e de promoção da igualdade racial, revelando também o lugar que esses temas terão na sua gestão.

5. O programa Corujão da Saúde realiza os exames em horários inadequados, quando além de tudo há várias restrições no transporte coletivo público. Sem maior investimento direto na rede, será mais uma medida precária e provisória, de “enxugar gelo”. Também há denúncias de entidades de que os números de exames realizados foram “inflados” pelo governo.

6. Na educação, o prefeito acena com cortes de verbas que devem afetar o transporte escolar, a merenda e a entrega de leite para as crianças. No mesmo sentido, já alterou as regras do transporte escolar, prejudicando muitos alunos, e ainda não conseguiu avisar muitos pais que tiveram grandes transtornos. É impossível melhorar a educação com a piora das condições para os alunos e a diminuição dos recursos!

7. O aumento da velocidade nas marginais é criminoso, pois tem relação direta com o aumento dos acidentes e com a gravidade dos mesmos. Tudo para reforçar uma cultura egoísta e violenta da prioridade para o automóvel individual. Como se não bastasse, a atual gestão ainda alterou os dados da CET para disfarçar o problema. Por outro lado, a prefeitura aumentou de forma disfarçada a tarifa, revendo algumas gratuidades e passando a realizar cobrança nos terminais. Na São Paulo de Dória a prioridade é para os carros em detrimento da vida e aumento de tarifas para os usuários de ônibus.

8. A lógica da coisa privada prevalece em sua gestão, com o privilégio das empresas e a demonização dos políticos, da política e do Estado. Exemplo dessa lógica invertida são as doações de grandes empresas que a Prefeitura vem recebendo. Mesmo que o prefeito alegue que não há contrapartida alguma do município, as empresas não fazem nada sem receber algo em troca. A propaganda gratuita já é um preço bem alto, com o próprio prefeito emprestando sua imagem para as empresas. Para não falar das suspeitas de favorecimento, inevitáveis em um processo tão pouco transparente.

9. O projeto privatista se manifesta totalmente no programa de privatizações que avança na entrega do patrimônio público. Estarão à venda, para a iniciativa privada, museus e parques, bibliotecas e o autódromo, o Centro Cultural São Paulo e até mesmo o Parque do Ibirapuera, nas diversas modalidades: privatização, cooperação, PPP, etc. Mais do que ativos importantes, estes espaços são verdadeiras referências para a cidade.

10. O prefeito que diz não ser político, mas gestor, vai precisar fazer muita política para dar seguimento à sua gestão. A sua base de apoio é conservadora e fisiológica. A bancada do PT, por sua vez, está na oposição, mas votou em Milton Leite, verdadeira erva daninha da política municipal, para a presidência da Câmara Municipal. Mesmo depois do golpe, continua apostando na estratégia da conciliação. A nossa bancada parlamentar, agora com Toninho Vespoli reeleito e a juventude de Sâmia Bomfim, terá um papel decisivo na Câmara Municipal, como resistência e alternativa.

11. A política recessiva e truculenta de Dória (assim como a de Alckmin e Temer) vai gerar mais recessão, com desemprego e piora nas condições de vida. Em alguns locais já assistimos a graves crises sociais, como no Espírito Santo e também no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Mas isso também aumentará a mobilização social e vai destravar energias de contestação. São os movimentos sociais, clássicos e inovadores, organizando a luta: os poetas do Slam, a comunidade da Praça Roosevelt, os trabalhadores da cultura, o movimento de resistência na Cracolândia; a  manifestação do MTST com quase cem mil na porta da prefeitura.

12. O PSOL está em bom momento, com aumento da procura por filiação e de sua inserção social. Isso se manifesta na ampliação de nossa bancada, mas também no surgimento de novas lideranças ligadas ao partido, fruto dos novos ventos na política. Em tempos de descrédito com a política, e de superação do lulismo, é o partido identificado com a juventude, com a resistência e com a luta contra as opressões.

13. São muitos os desafios do PSOL para o próximo período. Nossa principal tarefa é contribuir para a organização das lutas sociais na cidade, que certamente se ampliarão em tempos de crise e de restrição de direitos. A atuação nos espaços de encontro da esquerda e dos inconformados será fundamental no próximo período, com destaque para a Frente Povo Sem Medo. Do ponto de vista partidário, por fim, nossos principais desafios no momento são a filiação de cada vez mais lutadores e avançar na organização dos núcleos de base do partido, bem como na formação dos novos filiados e na comunicação do partido.

Diretório Municipal do PSOL São Paulo