Com violência, PM de Alckmin retira mais de 700 famílias de ocupação na zona leste de São Paulo

17/01/2017 Destaques, Direitos Humanos

Do PSOL Nacional

Foto: Jorge Júnior/Mídia Ninja

Foto: Jorge Júnior/Mídia Ninja

A manhã desta terça-feira (17/01) teve início com muita tristeza para as mais de 700 famílias da Ocupação Colonial, localizada no bairro de São Mateus, na zona leste de São Paulo. A tropa de choque da Polícia Militar do governo de Geraldo Alckmin sem negociar com as lideranças do movimento iniciou, antes das 9h, a destruição das casas, algumas de alvenaria e outras madeiras. Um pedido do Ministério Público de SP ao juiz que cuida do caso ponderou a inexistência de cadastro das famílias e pediu mais tempo para que se organizem. No entanto, os agentes ignorou a solicitação, se recusando a negociar. Para dispersar as famílias, a tropa de choque utilizou gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi preso durante a operação e levado para a 49ª DP de São Mateus, onde prestou depoimento. Ele foi liberado pela PM paulista apenas na noite desta terça-feira, por volta das 19h30.

Em nota, o MTST considerou a prisão um verdadeiro absurdo, uma vez que o líder estava o tempo todo procurando uma mediação para o conflito. “Não aceitaremos calados que, além do massacre ao povo da ocupação Colonial, jogando-o nas ruas, queiram prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajudá-lo”, disse a nota.

Segundo o advogado do dirigente do MTST, Felipe Vono, não houve qualquer desobediência por parte de Guilherme Boulos.

“A gente não tem pra onde ir e eles não tão ligando pra isso, minha filha tá na casa do pai dela agora, mas a gente não tem pra onde ir”, contou Emily, moradora da ocupação, à Mídia Ninja. Emocionada e nervosa, el\ viu a destruição do seu lar e agora está sem moradia e com uma filha pequena.

A ocupação, chamada comunidade Colonial, está localizada no bairro São Mateus, na zona leste da cidade, na Rua André de Almeida. As famílias vivem no local há um ano e meio. Neto Brasil, integrante da coordenação do MTST, disse que o terreno, antes da ocupação pelas famílias, era usado para crimes e desova de corpos.

Maria Sônia Rodrigues da Silva, de 61 anos, vivia com as duas filhas na comunidade. “Aqui só tem criança, cadeirantes, pessoas idosas, adolescentes. A gente não quer nada de graça não, a gente quer comprar [o terreno]”, disse ela. A idosa e as filhas estavam no local há um ano e meio. “Eu não tenho onde morar, nem elas. Essa terra estava abandonada há 40 anos”, completou.

Com informações da Mídia Ninja e da Agência Brasil