Debate “Reorganizar a Esquerda” lota Teatro Oficina em SP

07/12/2016 Comunicação, Destaques, Fundação Lauro Campos, Ivan Valente, Parlamentares, PSOL, São Paulo

31297805082_397df74a54_kMais de 400 pessoas estiveram presentes no histórico Teatro Oficina no última dia 1° de dezembro, em São Paulo, para acompanhar o debate “Reorganizar a Esquerda — fortalecer a resistência popular em tempos de golpe”. Outras centenas de pessoas acompanharam o evento pela transmissão ao vivo no Facebook da Fundação Lauro Campos, que organizou o encontro, assim como do lado de fora do Teatro em telões após ele atingir a sua lotação máxima.

O histórico evento contou com a participação de Ivan Valente (deputado federal do PSOL-SP), Natália Szermeta (coordenação do MTST), Joaquim Soriano (da Fundação Perseu Abramo), Áurea Carolina (vereadora do PSOL eleita em Belo Horizonte-MG como a mais votada da cidade), Laura Carvalho (economista e professora da FEA/USP), Alessandro Molon (deputado federal pela REDE-RJ) e Marcelo Freixo (deputado estadual e ex-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSOL, com mais de um milhão de votos).

As falas começaram com o deputado do PSOL, Ivan Valente, que começou constatando que a esquerda brasileira atualmente está muito mais fragmentada do que há 25, 30 anos atrás, quando havia uma unificação muito grande em torno do projeto político do PT. “Mas infelizmente, o PT como projeto político de emancipação do povo não existe mais, ele persistirá como um partido político, relativamente grande, mas nada além disso”, pontou o deputado psolista. Valente também frisou a importância da esquerda retomar com força total o debate econômico na sociedade: “Temos que nos reconstruir para poder propor um projeto econômico de esquerda novamente ao país”, disse Ivan. “Precisamos entrar nesta questão da reorganização da esquerda de peito aberto, sem sectarismos e hegemonismos”, concluiu.

Em seguida, falou Natália Szermeta, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que começou saudando a iniciativa de conseguir construir uma mesa como esta, onde prevalece o debate fraterno entre a esquerda. “A história tem nos demonstrado que não cabe mais o caminho da conciliação de classes. E nem da construção de um projeto eleitoral esvaziado de projeto, de disputa política”, avalia Natália. “Nós não podemos ficar escondidos embaixo da cama neste período. Temos que ter clareza de quem são nossos inimigos, é preciso ter um pouquinho de ódio de classe, não é possível que a conciliação foi capaz de apagar isso da gente”, concluiu sua fala em meio a aplausos efusivos da plateia do Teatro Oficina.

O terceiro a falar foi Joaquim Soriano, da Fundação Perseu Abramo e integrante do movimento Muda PT, que organiza os insatisfeitos com os rumos do partido. Para ele, “um governo popular e democrático, que se pretende progressista, não aplica um programa de austeridade”. “O golpe aplicado no país não serviu apenas para tirar a presidenta Dilma do poder, mas também para atacar a esquerda e interditar a liderança de Lula e do próprio PT”, avalia Soriano. “O resultado eleitoral de 2016 é a continuação desta brutal mudança na correlação de forças”, conclui.

Logo depois falou a economista da USP Laura Carvalho, que explicou a proposta do #QueroPrévias, da qual faz parte. “O debate eleitoral é cada vez mais curto e orientado pelo marketing político, a proposta de prévias visa um debate mais prolongado sobre projeto de país, que pode ou não culminar com uma candidatura em 2018”, explica Laura. A ideia do #QueroPrévias é exatamente criar um debate político de maior fôlego dentro do campo progressista. “É um espaço onde é possível que os atores políticos mantenham suas divergências e dialoguem para poder pensar em ações conjuntas”, continuou Carvalho.

O próximo com a palavra foi Alessandro Molon, deputado federal da Rede Sustentabilidade, que pontou a necessidade de se fazer um balanço justo do que foi a experiência de governos populares nos últimos anos no Brasil e de construir um programa político de esquerda com capacidades reais de disputar o poder no país nos próximos anos. “É necessário reconhecer que houve avanços importantes nos últimos anos, que precisam ser reconhecidos e reivindicados. Sob pena que o povo esqueça que estas políticas foram resultado dos governos dos últimos anos”, pontua Alessandro. “Mas é preciso também olhar com coragem para reconhecer os erros que cometemos nos últimos anos. É preciso revisitar o que é ser de esquerda, abandonar os penduricalhos que foram pegando pelo caminho, e olhar sempre para o que nos une”, concluiu Alessandro.

Em seguida falou Áurea Carolina, eleita vereadora de Belo Horizonte mais votada da cidade pelo PSOL. Para ela, é momento da esquerda saber trabalhar em rede e unindo forças. “Vamos ter que trabalhar com a pluralidade de quem nós somos, na coexistência e articulação de nossas redes, dessas práticas muito diversas que são complementares e podem cooperar entre si”, avaliou Áurea. Também pontou a importância de pautas como a luta contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia e tantas outras. “Sou uma feminista negra interseccional. Muito mais do que uma luta identitária, é uma perspectiva de vida, é como me organizo, como eu aprendo a conviver. Essas pautas dizem muito mais do que identidade, dizem sobre o tipo de planeta que queremos construir”, pontou.

E por último falou Marcelo Freixo, deputado estadual do PSOL no Rio de Janeiro e ex-candidato do PSOL nas eleições de 2016 a prefeito da cidade do Rio de Janeiro. “É muito significativo fazer um debate sobre reorganização da esquerda ainda neste ano e com esta composição. Desde o início deixa claro que a reorganização da esquerda não se limita aos partidos da esquerda. É um primeiro recado decisivo para o que a gente quer”, iniciou Freixo. “Eu não acho que a esquerda tem que resistir. Ela tem de reexistir. Se resistir, é a insistência em ser o que sempre foi. E é belíssima a história da esquerda no Brasil. Mas a gente precisa reexistir, repensar, entender outras coisas e outros modelos de organização”, reforçou. “E tudo isso de uma forma não colonizadora, é aprendendo a ouvir mais do que falar, por exemplo. É ressignificar na sua forma. É preciso fazer o debate da ética, mas também da estética”, comentou também.