A luta que nos espera na Câmara Municipal

04/10/2016 Câmara Municipal, Destaques, Eleições 2016, Toninho Vespoli

Por Toninho Vespoli, vereador reeleito do PSOL em São Paulo
dsc06017-e1419014570224Passado o momento de comemoração pela reeleição do vereador Toninho Vespoli e a conquista de mais uma vaga pelo PSOL no Legislativo paulistano, é hora de refletir sobre as lutas que nos aguardam a partir de 2017.
Com 53% dos votos venceu para prefeito João Doria, candidato da direita que defende, sem constrangimento, a privatização do patrimônio público e a retirada de direitos, entregando ainda mais a cidade para os grandes empresários, que historicamente já lucram com a brutal desigualdade social existente em São Paulo. Ao mesmo tempo, 38% da população se absteve, anulou ou votou em branco.
Entendemos que esse resultado é reflexo, principalmente, da descrença das pessoas na política, causada por diversos fatores, entre eles os escândalos de corrupção que estampam diariamente os jornais. Esse ceticismo levou alguns a não votar ou votar em ninguém, enquanto outros abraçaram, ingenuamente, o discurso do candidato que afirma não ser político, mas um gestor eficiente.
Quem conhece um pouco os meandros da política sabe que o sucesso financeiro de Doria vem justamente da sua habilidade em fazer política em benefício próprio, contando com a conivência dos que exercem a função pública e são favorecidos pelos esquemas escusos. O interesse público é seu último objetivo. Sua prioridade será garantir o bem-estar da sua classe de grandes empresários, agora com a máquina pública ao seu dispor. Áreas fundamentais como educação, saúde, transporte e habitação sofrerão impacto com Doria na prefeitura, haverá grandes retrocessos.
Por outro lado o PSOL se fortaleceu, em São Paulo e em outras partes do país. Conquistamos duas cadeiras na Câmara Municipal, uma delas ocupada por uma mulher, jovem, trabalhadora e feminista. É um sinal de que em parte da população cresce a esperança de uma saída pela esquerda e de que é possível fazer política de forma diferente, com o envolvimento da militância, com diálogo, sem abrir mão de ideais, sem alianças com partidos de aluguel.
Não devemos negar a política, mas participar dela. É por meio da política que os grandes empresários, que os ricos, conseguem garantir sua posição social. Quando seus interesses são ameaçados eles acionam seus contatos, organizam movimentos, lançam candidatos e conquistam o poder, amparados pelo dinheiro a que têm acesso. E da mesma forma faremos nós, por meio da política, ao lado dos movimentos sociais, dos trabalhadores, dos excluídos, resistiremos, batalharemos pelos nossos sonhos, por uma cidade mais justa e humana para todos.
Os sonhos não envelhecem e, ao longo dessa campanha, nossos candidatos à prefeitura, Luiza e Erundina e Ivan Valente, provaram isso. A briga não vai ser fácil, mas a gente já mostrou que aguenta e que diante do desafio, nossa força e nosso ânimo só aumentam.