Covardia e machismo no SINPEEM impedem leitura de moção no plenário

21/10/2016 Direitos Humanos, Notas

 

“São essas as professoras que vocês querem que eduquem seus filhos?”

sinpeemNa última plenária do Congresso do SINPEEM (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) ocorreu um episódio lamentável de machismo e covardia. Foi negada arbitrariamente uma solicitação de questão de ordem para apresentação de uma moção sobre a participação política das mulheres e enfrentamento ao machismo no sindicato.

Mais uma vez, a voz das mulheres foi silenciada e desqualificada. Valendo-se do controle da mesa e da estrutura do sindicato foi negada a questão de ordem, garantida pelo regimento.

Com a força coletiva, as mulheres ocuparam o palco para garantir a leitura da moção para a apreciação do plenário, que poderia votar a favor ou contra. Frente a isso, o presidente do sindicato orientou os seguranças particulares a retirarem as manifestantes, o que ocorreu com truculência e agressões físicas. Ao mesmo tempo, incitou o plenário contra a manifestação.

Frente às mulheres em luta que questionam as estruturas do sindicato, foi dito: “São essas as professoras que vocês querem que eduquem seus filhos?” reproduzindo a prática machista que tenta colocar “as mulheres em seu lugar”. Respondemos: SIM! Somos educadoras que não se curvam ao machismo!

Manifestamos aqui nossa indignação e repúdio a estas atitudes antidemocráticas, autoritárias e violentas.

Abaixo o machismo! Abaixo a truculência e a burocratização do sindicato!

MOÇÃO LUTA MULHER NO SINPEEM

Considerando:

A naturalização do machismo na sociedade, comprovada no aumento dos casos de violência, feminicídios e na cultura do estupro;

Que a ideologia machista, racista e lgbtfóbica reforça a superexploração

do capital sobre a classe trabalhadora de conjunto;

Que na sociedade 52% da população é mulher, assim como a maioria se declara negra;

Que a base do SINPEEM é composta majoritariamente de mulheres;

Que, no entanto, de um total de 35 membros da Diretoria do SINPEEM, apenas 17 (48,5%) são mulheres;

Que além da subrepresentação feminina no Sindicato, crescem atitudes de desqualificação, subestimação e até agressões verbais por parte de dirigentes sindicais sobre Diretoras, Conselheiras e R.E.’s nos Fóruns do SINPEEM;

Que o Sindicato não avançou em formação política, sindical e sobre as questões de gênero e raça sobre seus associados;

Que as mulheres da categoria vivem uma sobrecarga de trabalho com duplas ou triplas jornadas incluindo o trabalho doméstico;

O 27º Congresso resolve:

Que o SINPEEM deixe de tratar pautas de mulheres, negros e lgbt’s como sendo de “minorias”, mas como parte indissociável das lutas da categoria;

Que toda ação, piada ou subestimação das mulheres nos fóruns do Sindicato sejam repudiadas e combatidas imediatamente;

Que se constituam fóruns específicos para apuração e resolução de denúncias de machismo nos fóruns do Sindicato;

Que haja espaços de organização e formação ampla para as mulheres da categoria;

Que todas as mesas de direção dos fóruns do SINPEEM (Congressos, Diretoria, Conselho, Assembleias e R.E.’s) tenham representação feminina e não tenham posturas desrespeitosas, desqualificadoras, subestimadoras ou de ridicularização das mulheres;

Que todos os fóruns do SINPEEM tenham espaços de acolhimento e recreação para as crianças de modo a garantir a participação plena das mulheres e de suas demandas.

ASSINAM: MULHERES MANIFESTANTES DO ATO DE 19/10 NO 27º CONGRESSO DO SINPEEM