Balanço das eleições 2016 e a tarefa de reorganizar a esquerda

17/10/2016 Câmara Municipal, Destaques, Eleições 2016, Luiza Erundina, Notas, PSOL, Sâmia Bomfim, Toninho Vespoli

14449050_1301214613244784_4514306890484258374_nO PSOL teve um bom desempenho nas eleições de 2016, mesmo considerando as dificuldades impostas pela reforma eleitoral de Eduardo Cunha. Elegemos mais vereadores, mais prefeitos e estamos no segundo turno em três cidades, duas capitais: Belém com Edmilson Rodrigues, Rio de Janeiro com Marcelo Freixo e Sorocaba com Raul Marcelo.

Disputamos as eleições em condições muito desiguais, depois de uma reforma eleitoral que teve como um dos objetivos acabar com os partidos ideológicos e afetou duramente o PSOL. A desproporção dos tempos de TV, com nosso partido restrito a pouco mais de dez segundos contra alguns candidatos que tinham 4 ou 5 minutos foi muito injusta. A restrição à participação nos debates tirou uma série de candidatos do PSOL desse importante momento das eleições. Por fim, outra vez a disparidade nos recursos gastos também fez diferença.

Para além dos resultados numéricos, o PSOL avançou como uma alternativa de esquerda. São tempos de mudança, um momento onde o petismo sofreu forte derrota eleitoral, quando o projeto do lulismo se encerra de vez com o impedimento da presidenta Dilma, e quando as ideias de esquerda sofrem um ataque na sociedade, junto do avanço das forças conservadoras. Ao mesmo tempo surgem novos setores e expressões da luta social como fortemente representado na Primavera da Mulheres que se expressou eleitoralmente a favor do PSOL, no ascenso do movimento negro contra o racismo e a violência, movimento de ocupações de escolas promovidos por jovens secundaristas e em tantos outros novos exemplos de luta. Nessa nova conjuntura, o PSOL se consolidou como alternativa política graças à sua atuação combativa no parlamento e nas ruas, como partido que representa o “novo” nas eleições e na sociedade.

A conjuntura econômica piorou para o povo. A direita obteve vitórias eleitorais significativas, em um cenário de utilização política da operação Lava Jato e de descrédito generalizado com a política. Com a consolidação do golpe e do impedimento da presidenta Dilma, avançam os projetos de retirada de direitos e de ajuste fiscal, querendo colocar a conta da crise nas costas dos trabalhadores. Por outro lado, tempos de luta se aproximam, é um momento de reorganização da esquerda, e o PSOL estará à frente desse processo.

SÃO PAULO

A eleição municipal, marcada pelo avanço da direita e pela pressão do voto útil dentro da esquerda, também registrou um crescimento eleitoral do PSOL, bem como de nossa representatividade social. Ampliamos a nossa votação para prefeito e elegemos dois vereadores, dobrando a nossa bancada.

Apresentar a candidatura de Luiza Erundina foi um diferencial para o PSOL. Sua experiência e força como figura pública puderam se somar à juventude do PSOL, em uma candidatura ampla e de esquerda. Ao mesmo tempo, o processo de entrada de Erundina no partido implicou em uma candidatura mais tardia, com os prejuízos de preparação daí advindos, mas compensados pela sua imagem de mudança social.

A candidatura propiciou uma rica experiência de convivência com diversos grupos, alguns dentro e outros fora do partido, em um processo de experiência de unidade, não sem dificuldades. Da mesma forma uma ampla chapa de candidatas e candidatos a vereador levou o partido aos diferentes cantos da cidade e nos colocou como representantes de negros, mulheres, LGBTT, jovens.

Fomos prejudicados, além das dificuldades impostas pela reforma eleitoral, pelo voto útil, que no final se mostrou despropositado. Apresentamos uma candidatura programática e de esquerda, orientada por um programa de inversão de prioridades, democracia radical e combate às opressões. O voto útil em São Paulo representou uma dificuldade para a afirmação de um projeto mais à esquerda, aprisionado na lógica do “menos pior”.

Infelizmente, as eleições majoritárias foram vencidas pelo candidato tucano João Dória. Ele representa, do ponto de vista político, um avanço das posições mais conservadoras e neoliberais, vestidas em uma figura de negação da política e da esquerda, uma espécie de Berlusconi bandeirante.

A Câmara Municipal que sai das eleições é ruim e pior que a anterior, com um aumento da direita, do peso do dinheiro nas eleições e da bancada que se diz “da bíblia”. Cabe lembrar aqui que parte dos vereadores que comporão a base do governo foram eleitos na coligação do PT.

O avanço eleitoral da direita, em um contexto de impedimento da presidenta Dilma e ataques à esquerda, foi preocupante. Da mesma forma, chamou atenção a elevação dos votos brancos e nulos, marcando o descontentamento com a política e os políticos. Quando analisados de perto, esses fenômenos revelam que a população das periferias, que antes votava no PT, simplesmente deixou de votar, impondo uma tarefa à esquerda.

Nesse contexto, a Câmara Municipal terá importância central, combinada com a força das ruas, como trincheira de defesa dos direitos sociais ameaçados. Elegemos 2 vereadores, Toninho Vespoli e Sâmia Bomfim, mais uma vez contando com uma chapa de vereadores plural e representativa de pautas, segmentos e regiões. Foi acima de tudo uma vitória coletiva.

O partido sai fortalecido do processo eleitoral, embora lamente o avanço da direita. Para o Diretório Municipal fica a tarefa de receber e organizar os ativistas que se aproximaram do partido nas banquinhas e pelas redes, e ser parte da luta contra a retirada de direitos que marcará o próximo período. Ser polo dinâmico na reorganização da esquerda, buscando novas pautas e formas de organização sem deixar de lado a luta pelo Poder Popular.

EXECUTIVA MUNICIPAL DO PSOL SÃO PAULO