LUIZ ARAÚJO: A vez do PSOL

15/07/2016 Eleições 2016, PSOL

Do PSOL Nacional

Bandeira-PSOLDepois de quase três meses sem que os institutos de pesquisa divulgassem pesquisas de opinião sobre as eleições municipais, finalmente começaram a sair as primeiras sondagens, faltando menos de três meses para o pleito.

É gratificante verificar que as pré-candidaturas do PSOL despontam com ótimos resultados. Cito dois exemplos recentes. Em São Paulo, na pesquisa Datafolha, nossa pré-candidata Erundina aparece em terceiro lugar, com 10% das intenções de voto. E em Porto Alegre, pesquisa publicada pelo jornal Correio do Povo, a nossa pré-candidata Luciana Genro lidera as intenções com 20% dos votos.

Às duas pesquisas se somam as informações de que Marcelo Freixo desponta como o nome da esquerda para disputar o segundo turno no Rio de Janeiro, potencial que certamente estará presente quando os institutos tiverem coragem de divulgar as pesquisas internas que estão fazendo até o momento. E, lá no extremo norte, o deputado Edmilson Rodrigues, que foi para o segundo turno em 2012, lidera as pesquisas locais, aparecendo na faixa de 30% das intenções.

Temos notícias animadoras de nossas pré-candidaturas em Natal (Robério), Recife (Edilson), João Alfredo (Fortaleza), Florianópolis (Elson) e Cuiabá (Procurador Mauro), todos despontando em pesquisas locais. E este crescimento não está acontecendo apenas nas capitais, exemplo disso é a força eleitoral já demonstrada pela pré-candidatura de Glauber Braga na cidade de Nova Friburgo, aparecendo na frente das pesquisas.

E o que isso quer dizer?
Em primeiro lugar, que existe uma parcela do eleitorado que continua preferindo uma alternativa eleitoral de esquerda e que o PSOL, cada vez mais, ocupa este espaço. É lógico que isso está diretamente vinculado à crise do PT e do governo. Este partido deixou de ser o centro gravitacional do voto de esquerda e, pelo que tudo indica, terá muitas dificuldades eleitorais em 2016.

Em segundo lugar, o desempenho mostra que o PSOL conseguiu firmar uma imagem de coerência política. Durante o período petista se constituiu na oposição de esquerda e programática, não se misturando com a oposição conservadora. Nossas lideranças, no parlamento e no movimento social, mantiveram (e mantêm) estreita relação com todos os que lutam por direitos em nosso país.

Em terceiro lugar, mas não menos importante, o partido mostrou grandeza e responsabilidade durante o processo de debate do impeachment, não cedendo ao caminho mais fácil e defendeu as regras democráticas, denunciando o golpe institucional e enfrentando a ofensiva da direita. Estivemos nas ruas contra o golpe, mas deixando claro que isso não era uma postura de concordância com o que o governo Dilma fazia.

É lógico que é um bom começo, mas são muitas as dificuldades que um partido de esquerda enfrenta para se apresentar no modelo eleitoral brasileiro. Um exemplo é a distribuição do tempo de TV, que é proporcional ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados e isso privilegia os grandes partidos tradicionais e o toma-lá-dá-cá de cargos e benesses, terreno que não queremos trilhar.

A mudança na legislação, feita por encomenda para impedir o surgimento da novidade nas eleições, tenta retirar nossas candidaturas do debate nas TVs, espaço de debate fundamental para a formação da opinião dos eleitores. Será um verdadeiro escândalo tentar impedir que candidaturas que aparecem entre os quatro primeiros colocados de participar do debate. Uma clara tentativa de eternizar os partidos tradicionais no poder.

As primeiras pesquisas são um alento para esses tempos de golpe e crescimento do conservadorismo no país. É uma demonstração que existe resistência, luta por direitos e vontade de mudar. Fico feliz que parte dos que lutam enxerguem no PSOL um porto seguro. Não nos colocamos como farol da humanidade ou como único espaço de esquerda. Somos um partido pequeno, mas somos coerentes no que acreditamos, aguerridos na defesa de nossas propostas e possuímos uma militância jovem e atuante.

Em tempos de reconstrução de um imaginário de esquerda no Brasil, ter candidatos socialistas tão bem colocados é animador.

 

Luiz Araújo é presidente nacional do PSOL