Apoio aos trabalhadores rurais do MST, atacados pela PM do Paraná

11/04/2016 Notas

Dois trabalhadores sem-terra foram mortos e vários ficaram gravemente feridos em ação truculenta da Polícia Militar do Paraná e de jagunços da empresa Araupel Celulose, nesta quinta-feira (7), no acampamento Dom Tomás Balduíno, localizada entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná.

A Polícia Militar reconhece que, além dos dois mortos, seis pessoas ficaram feridas. O MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra afirma que foram 22 os integrantes do movimento atingidos por disparos de armas de fogo. Nenhum policial foi morto ou ferido. Assim mesmo, a PM apresenta a estapafúrdia versão de ter sido ela vítima de emboscada! E a imprensa local vem divulgando a versão publicada pela polícia, em total desrespeito às vítimas e à inteligência da população.

Infelizmente, não nos surpreende a truculência da PM paranaense, que há pouco mais de um ano massacrou professores em Curitiba, nem a parcialidade da imprensa, que, sustentada por grandes empresários e fazendeiros da região, promove a demonização dos sem-terra, instigando a população contra os acampados do MST.

O clima é tenso na região, desde maio de 2014, quando a terra, pertencente à União, e que vinha sendo irregularmente explorada pela empresa Araupel, foi ocupada por centenas de famílias sem-terra. A titularidade da área vem sendo disputada na Justiça e são constantes as ameaças por parte de seguranças e pistoleiros da empresa exportadora de pinus e eucalipto contra os trabalhadores rurais no local.

O fato é que, após o ataque de ontem aos trabalhadores sem-terra, a polícia cercou a área do acampamento, impedindo que os moradores saíssem ou entrassem, sob ameaças de armas apontadas pelos policiais. Jornalistas e ativistas de Direitos Humanos foram impedidos de se aproximarem do local, o que levanta fortes suspeitas de que o cenário dos crimes possa ser adulterado.

Além disso, houve demora no socorro dos feridos – dentre eles um militante sem-terra filiado ao PSOL – que, depois de serem atacados na região do acampamento, estão agora sendo tratados pela polícia como presos nos hospitais, com a ilegal proibição de acesso inclusive de familiares e advogados.

Sabemos que esse ataque aos trabalhadores rurais sem-terra não é fato isolado, mas faz parte de um projeto de criminalização dos movimentos sociais, pela mídia e pelo Estado. Este processo conta com o respaldo das alterações jurídicas que vêm se consolidando desde o último período, como a normativa de garantia da lei e ordem, a exemplo da Lei Antiterrorismo. A situação se agudiza em face do desmonte da Reforma Agrária do Governo Federal, cuja expressão máxima se dá na aliança com Katia Abreu e o agronegócio.

Reafirmamos nosso enfrentamento ao Governo de Beto Richa, do Secretário-Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, ambos do PSDB, e do Secretário de Segurança Pública do Estado do Paraná, Wagner Mesquita. Estes são os verdadeiros responsáveis pelo massacre que presenciamos nesta quinta-feira e devem ser penalizados por isto.

Diante disso, o PSOL expressa repúdio à ação policial e exige a apuração transparente dos fatos, com punição dos responsáveis pelos assassinatos e ferimentos.

Desmilitarização já!
Contra a repressão aos movimentos sociais!
Todo apoio aos trabalhadores rurais que lutam por terra para viver!

Curitiba/PR, 08 de abril de 2016
Executiva Nacional do PSOL
PSOL-PR