Greve dos professores já passa de 50 dias e conta com nosso apoio

08/05/2015 Educação, Parlamentares, Toninho Vespoli

Governos do PSDB só respondem às reivindicações dos docentes como estão acostumados: indiferença ou repressão

Os professores da rede estadual de São Paulo estão em greve desde o dia 13 de março. São 55 dias paralisados, enquanto o governador Geraldo Alckmin diz que “não há greve”. O governo do estado conseguiu na Justiça no início desta semana que os professores nem possam divulgar a mobilização dentro das escolas.

Se aqui em São Paulo os grevistas enfrentam descaso, no Paraná enfrentam a truculência. Na última quarta-feira (29) mais de 200 pessoas ficaram feridas em uma brutal repressão da Polícia Militar comandada pelo governador Beto Richa. Os dois governadores – não por acaso ambos do PSDB – mostram a face mais cruel de seus governos e atacam quem luta por melhores condições de educação.

Em São Paulo a luta é por melhores salários e condições de trabalho. Os professores reivindicam um aumento de 75,33% em seus salários em busca da equiparação salarial com outros profissionais do nível superior, como está previsto no Plano Nacional de Educação. O salário-base de um docente da Educação Básica I com jornada de trabalho de 40 horas é de R$ 2.086, 93. O secretário de educação Herman Voorwald disse que pretende fazer uma proposta de reajuste salarial apenas em julho, sendo que a data-base para os profissionais da educação estadual já foi em março. Na época o secretário disse que negociaria em abril. Esta indisposição em negociar por parte do governo fez os professores entrarem em greve.

Outras reivindicações também são importantes porque denunciam a calamidade em que se encontra a educação pública em São Paulo. Os docentes reivindicam a redução para 25 alunos por sala de aula, a reabertura de salas de aula fechadas e o desmembramento das salas hiperlotadas. No início do ano o governo estadual fechou mais de três mil salas, o que fez com que o ano letivo iniciasse com turmas que chegavam a ter mais de 70 alunos.

A situação dos professores temporários – a categoria “O” – também é muito precária. Além de encontrar dificuldades para pegar aulas e não ter os mesmos direitos dos efetivos, eles ainda sofrem com a duzentena, que faz com que tenham de ficar 200 dias sem trabalhar e sem receber o salário após o vencimento do contrato, para não configurar vínculo empregatício. Em novembro do ano passado a Secretaria de Educação divulgou que 57 mil professores da categoria O eram utilizados para atender a demanda no Estado.

São estas e mais outras tantas reivindicações mais do que justas que fazem os professores da educação estadual cruzar os braços há quase dois meses. O lema de “educação é prioridade” é discurso de praticamente qualquer governo eleito. Mas para tratar a educação como ela merece é preciso ouvir quem está nas salas de aula todos os dias. Dialogar e atender as necessidades dos professores e alunos é primordial para pensar em educação de qualidade. Mas os governos estaduais do PSDB preferem responder as reivindicações com descaso e truculência, como sempre foi a preferência deles.

Por solicitação da APEOESP, o Tribunal de Justiça de São Paulo marcou uma audiência de conciliação entre o sindicato e o governo estadual para hoje (7) às 15h. Todo apoio à greve dos professores estaduais em São Paulo. Negocia, Alckmin!

Por Mandato do vereador Toninho Vespoli, presidente do Diretório Municipal PSOL/SP