PLÍNIO, PRESENTE!

09/07/2014 Câmara Municipal, Comunicação, Destaques, Eleições 2014, Juventude, LGBT, Meio Ambiente, Mulheres, PSOL, PSOL na Rua, São Paulo, TV

Por Toninho Vespoli

É com imenso pesar que recebemos a notícia da morte do nosso companheiro Plínio de Arruda Sampaio, cuja história é pautada na luta pela democracia, igualdade e justiça social. Sua trajetória é um exemplo para os que trabalham pela construção de uma alternativa de esquerda para o nosso país. Plínio costumava dizer que os melhores anos da sua vida eram aqueles que ainda iria viver. Para a luta socialista, Plínio vive e estará sempre presente.

Plínio de Arruda Sampaio
Nasceu em 26 de julho de 1930, na cidade de São Paulo.
Casou-se com Marieta Ribeiro de Azevedo Sampaio em 1954, época em que se formou em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco.
Ligado à Igreja, Plínio deu seus primeiros passos na política através da Juventude Universitária Católica, organização surgida a partir da Ação Católica Brasileira.


Em 1959, foi nomeado subchefe da Casa Civil de Carvalho Pinto, governador do Estado. Ali coordenou o Plano de Ação, um amplo programa de planejamento e de intervenção integrada de todas as esferas do Estado no desenvolvimento. Ainda nos anos 1950, entrou para o Partido Democrata Cristão (PDC), que tinha em André Franco Montoro (1916-1999) um de seus principais líderes.
Eleito deputado federal em 1962, Plínio logo se tornaria relator do plano de reforma agrária do governo João Goulart (1962-1964).


Quando foi deflagrado o golpe de 1964, Plínio estava na primeira lista de cassações, juntamente com Luiz Carlos Prestes, João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e dezenas de outros.
No exílio, ele trabalhou na FAO (órgão da ONU que trata das questões relativas à agricultura e à alimentação), em Santiago do Chile e, a partir de 1970, nos Estados Unidos. Assessorou programas de reforma agrária em quase 20 países da América Latina e da África.


O ex-deputado voltou ao Brasil antes da Anistia. Chegou em 1976 e tornou-se professor da Fundação Getulio Vargas, após ter concluído um mestrado em Economia Agrícola na Universidade Cornell.
Tomou parte nas intensas lutas sociais que marcaram o final da ditadura. Ingressou primeiro no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e logo saiu para fundar o Partido dos Trabalhadores, em 1980, após as greves do ABC paulista, lideradas por Luís Inácio Lula da Silva.
PT e Constituinte


Eleito deputado constituinte, em 1986, Plínio bateu-se por um projeto de reforma agrária que erradicasse o latifúndio.
Dirigente petista, membro da coordenação da campanha Lula à presidência em 1989, Plínio foi o principal formulador da política agrária do partido por muitos anos. Foi líder da agremiação na Câmara e candidato a governador pelo PT, em 1990. Tornou-se presidente da Associação Brasileira pela Reforma Agrária (ABRA) e um dos mais importantes colaboradores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Membro da corrente majoritária do PT, a Articulação, aos poucos ele se tornou um aliado da esquerda partidária.
Paulatinamente desencantado com os rumos do PT, após a eleição de Lula, em 2002, Plínio foi candidato à presidência da legenda em 2005.


PSOL
Em setembro daquele ano, juntamente com cerca de dois mil militantes de todo o país, ele deixou a legenda que ajudou a fundar e filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Em 2006, Plínio saiu novamente candidato ao governo de São Paulo.
Em 2010 seu nome foi oficializado candidato a presidente pelo partido, sendo o quarto mais votado.
Em 2013, surpreendeu mais uma vez ao participar das manifestações de junho pela redução das tarifas de metrô e ônibus.
Plínio faleceu aos 83 anos, em São Paulo, vítima de câncer

Quem quiser prestar suas últimas homenagens, seu velório acontecerá amanhã (9) das 8:30 às às 11:00hs na Paroquia São Domingos, à Rua Caiubi, 164, Perdizes, São Paulo.
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