A luta dos professores continua!

16/05/2013 Destaques, Educação

Coletivo – Educadores Juntos!

Nas últimas três semanas milhares de professores tomaram as ruas de São Paulo para lutar pela melhoria da educação!

Não bastou pedir, foi necessário ocupar o espaço público para reivindicar e dizer que basta de violência nas escolas, baixos salários e altas jornadas de trabalho. Que não aceitamos a superlotação das salas, a falta de estrutura nas escolas e a falta de democracia e respeito. Que deve se construir urgentemente uma escola que ensine a pensar e não a obedecer. Uma escola que tenha condição de cumprir a tarefa de nos emancipar, e não aprisionar. Esse exemplo recente não se dá pontualmente nesta luta, mas em várias que travamos historicamente.

A greve do professorado estadual e municipal vem demonstrando a disposição de um grande setor da educação em lutar por melhoria das condições de trabalho. Essa disposição de luta em defesa da educação vem se dando em todo país. Nos Estados do RS, MG, BA e em muitos outros, os professores estão fazendo greves, paralisações ou jornadas de mobilizações. Essa onda de indignação demonstra claramente o enfrentamento de um grande contingente de professores, servidores públicos e alunos que se arriscam e depositam suas forças na luta contra os governos que estão dominados pelos partidos da ordem.

Em São Paulo Alckmin e Haddad são duas faces da mesma moeda. Ambos vêm aplicando uma política de desmonte e precarização da educação, que se caracteriza pelos baixos salários, jornadas pesadas de trabalho, atropelamento dos conselhos de escola e dos espaços democráticos de decisão, escolas sem estrutura, desvalorização do trabalho do professor, são algumas das facetas que igualam esses dois governos.

Enfrentar esses governos e derrotar sua política é tarefa de todos educadores. Para isso a unidade de amplos setores da educação, como demonstrado na unificação do professorado estadual e municipal, no dia 03/05, é fundamental.

No estado o grande símbolo da greve foi o chamado professor categoria “O”, que, aliás, estavam na vanguarda da resistência durante a última semana. Esses professores são aqueles que trabalham num quase regime de terceirização, que são cotidianamente ameaçados de demissão, sem direito à faltas e licenças médicas, sem direito ao acesso ao hospital do servidor público, obrigados a ser demitidos e recontratados após o período de contrato, numa demonstração clara da falta de respeito do Governo do Estado pelo funcionalismo público. Os categoria “Ó” foram linha de frente do combate as políticas mais nefastas do governo Alckmin, e por isso, esta greve termina com uma pequena, mas importante conquista para este setor.

O grande desastre da greve foi o setor que dirige o sindicato (Apeoesp), a Articulação Sindical do PT, essa corrente conduzida pela atual presidente do sindicato, Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel, convocou e decretou a greve, mas não se jogou na sua construção, demonstrou uma postura extremamente burocrática fazendo uma greve de carro de som com o único objetivo de desgastar o governo do estado visando à eleição de 2014. Pior ainda, a Bebel tratou as assembleias burocraticamente e com muita truculência, na base de manobras e autoritarismo. Como exemplo deste método, a última assembléia de sexta feira dia 10/05, ficou marcada pelo oportunismo de mais baixa patente, quando a direção majoritária do sindicato, que já estava proibindo a oposição de ter acesso ao som, decretou autoritariamente o final da greve, e demonstrou que esse setor não tem condição nenhuma de seguir dirigindo o sindicato, sobretudo a luta de um setor tão combativo e importante como é o professorado de São Paulo. Esta com certeza é uma estigma que une a grande maioria da categoria, e por conseguinte a oposição, e pode ser comprovada nos diálogos diários no interior das escolas, com professores que não aceitam mais o modelo de gestão imposto pelo PT.

Por outro lado, para que possamos fazer uma caracterização real, que permita a melhor intervenção nos espaços de disputa de poder do sindicato, e com isso consigamos nos lançar à frente na construção de uma alternativa que aproxime os professores, é necessário fazer um bom balanço da atuação do bloco de esquerda e da oposição num modo geral.

Pelo que percebemos, o setor da esquerda do sindicato está muito dividido e fragmentado. Apesar disso, após essa grande mobilização, percebe-se que há um grande espaço para construção de um bloco de esquerda conseqüente no interior da categoria, um bloco que no dia a dia consiga juntar os educadores, na escola e nas ruas, e que dialogue com os alunos e a comunidade escolar. Ou seja, uma composição que lute para além da burocracia sindical, que lute por uma educação emancipadora, buscando unir a esquerda conseqüente.

Neste sentido a formação do bloco de esquerda foi um grande avanço na última Conferência de Educação, mas sua consolidação ainda é um grande desafio.

Vê-se que ainda é um setor incipiente na organicidade, com pouco dinamismo, pois devido a grande carga horária que os professores precisam assumir para se ter um salário digno, muitas vezes tendo que acumular cargos, impossibilita e muitas vezes até engessa a mobilização. A construção dos setores que compõem o bloco de esquerda e o fortalecimento dos seus espaços unitários de construção, além da formação do bloco no professorado municipal, são tarefas fundamentais para o próximo período, se estivermos cientes da necessidade de liquidarmos a burocracia sindical.

Temos total condições de construir rapidamente alternativas aos setores governistas e “politiqueiros” que dirigem a Apeoesp e o Sinpeem.

Vale lembrar, contudo, que a greve dos professores continua no município, e derrotar Haddad é derrotar todos os setores que atacam a educação a nível básico e superior. Significa, portanto, que uma vitória dos professores em São Paulo é uma vitória de todos os educadores do Brasil, e de todos os que lutam por uma educação com qualidade e pública.

É com esse espírito que devemos encarar as assembléias e os comandos de greve. É tarefa de todos os professores construir esses espaços e fortalecer nossa intervenção.

Estamos Juntos!

Educadores Juntos! é um coletivo de militantes com história de luta no movimento estudantil, nos movimentos sociais e sindicatos representativos dos professores.