Nota do Diretorio Municipal do PSOL São Paulo sobre as Eleições Municipais

16/11/2012 Destaques, Eleições 2012, São Paulo

O Diretório Municipal do PSOL SP vem por meio desta repudiar a postura de parte da Executiva Nacional do partido ao convocar de maneira equivocada sua reunião e aprovar uma resolução que impõe ao conjunto da militância uma avaliação da campanha eleitoral. A parte da Executiva erra ao reproduzir uma prática antidemocrática, de votar um balanço, quando, o conjunto da militância e as demais instâncias se dedicavam a fazer as suas avaliações diante de novos episódios vividos pelo partido.

A situação da reunião, que não permitiu a participação de todos os membros da executiva nacional, e da apresentação do balanço se agrava pelo conteúdo do documento. Em especial, sobre quatro pontos.

Enquanto boa parte da militância do PSOL criticava o apoio do DEM à candidatura de Clécio no Amapá, parte da executiva o elogiou, contrariando inclusive diretrizes aprovadas no congresso nacional do partido.

Enquanto boa parte da militância do PSOL criticava a aparição de Lula, Dilma, Marta e Mercadante na campanha de Edmilson em Belém, por discordar da entrega do partido à política petista, parte da Executiva apoiou a medida.

Enquanto boa parte da militância do PSOL defendia o camarada Plínio de Arruda Sampaio diante de um erro cometido por uma declaração infeliz, parte da Executiva fez o mesmo discurso oportunista dos demais partidos burgueses e preferiu expor o ex-candidato à presidência da República do partido.

Por último, essa mesma parte da Executiva, aproveitou para criticar a campanha de Carlos Giannazi em São Paulo. Na opinião deste diretório municipal, a candidatura de Giannazi apresentou um programa contra-hegemonico no processo eleitoral, mesmo diante de um cenário extremamente conservador na cidade.

Os resultados do processo de eleições municipais apontam o fortalecimento do PSOL como alternativa de esquerda. E todo o país, o PSOL deu um salto. No Rio de Janeiro a campanha de Marcelo Freixo foi expressão deste processo, com uma candidatura que polarizou a cidade e alcançou o patamar de quase 30% dos votos.

O processo de 2012 aponta que o PSOL cada vez mais se consolida como uma referência não apenas eleitoral, mas também política e de oposição ao atual regime. Tornando-se cada vez mais conhecido nacionalmente, tem ocupado o espaço à esquerda que foi abandonado pelo PT, uma vez que este, enquanto partido da ordem, ocupa por sua vez parte do espaço à direita que antes pertencia a partidos como PSDB, PMDB, etc.

Em São Paulo, a candidatura de Carlos Giannazi a prefeito marcou posição nas ruas e nos debates de TV, e afirmou o PSOL como nova referência de esquerda na maior cidade do país. Giannazi logrou polarizar debates desmascarando tanto a candidatura de continuidade da atual gestão Kassab, representada por Serra, quanto a falsa novidade representada pela candidatura de Fernando Haddad, apoiada no malufismo. Contribuiu também para desmascarar a candidatura de Celso Russomano que esteve à frente das pesquisas em grande parte do processo eleitoral, expressando o desgaste do PT e PSDB enquanto alternativa mas ao mesmo tempo o perigo de uma ascensão conservadora na cidade, impulsionada por setores religiosos ligados à Igreja Universal.

A eleição aconteceu no marco de uma absoluta pressão pelo voto útil a Haddad para que não houvesse um segundo turno entre a direita. Apesar disso e apesar de as duas principais emissoras de TV (Record e Globo) não terem realizado debates, nossa candidatura resistiu muito firme a essa pressão e se manteve no patamar de 1 % ao longo de toda a campanha, terminando inclusive a frente do PDT, que foi arrasado por essa situação. O triunfo de Haddad e do PT abrem agora o caminho a que o PSOL seja a referência de esquerda graças à política que expressou o sentimento de mudança nestas eleições, não só externamente mas internamente no partido, quando a base partidária, em um democrático processo de prévias internas, o escolheu para representar o PSOL nestas eleições. A figura de Giannazi cresceu, e sua votação e a votação da chapa de vereadores são os dois grandes trunfos do PSOL paulistano, e parte importante do triunfo nacional do partido.

Lamentamos a ausência de Ivan Valente e na campanha de Giannazi, inclusive nos programas de televisão. Acreditamos que este fato prejudicou a campanha do PSOL na capital.

É importante também destacar a importância do esforço de construção unitária com os companheiros do PCB, que ao compor conosco a Frente de Esquerda, se empenharam na construção de nossa campanha e demonstraram de forma exemplar que é possível e necessária a unidade com setores combativos e de esquerda nas lutas sociais e também nos processos eleitorais. A experiência da Frente de Esquerda na capital deve ser valorizada para que possamos seguir construindo em unidade com os setores em luta de nossa cidade.

A eleição de nosso primeiro vereador foi uma grande vitória do PSOL. É a primeira vez que o Diretório Municipal e os militantes do PSOL São Paulo têm um vereador. E nosso primeiro mandato deve ser um mandato do PSOL, contemplando a grande representatividade alcançada pelo partido e pelas demais candidaturas que fortaleceram nossa chapa, abarcando agora as demandas de todas as regiões da cidade bem como as pautas encabeçadas pelo PSOL na capital, sendo um mandato de todo o partido    e não de determinada corrente ou figura pública, e que possa fortalecer o avanço do partido na cidade, unificando-o em torno de suas lutas e fazendo-o crescer ainda mais na capital.

Para que essa política se concretize, são necessários mecanismos que possibilitem a criação de um mandato colaborativo e participativo, com canais de interlocução com o Diretório Municipal e a base partidária. Assim, será criada uma comissão municipal de colaboração com o mandato, responsável por essa tarefa, cuja primeira responsabilidade será a de montar a equipe que fará parte do Gabinete de vereador e da Liderança do PSOL na Câmara, contemplando os setores das diversas regiões do município bem como representantes das diversas lutas nas quais o partido está inserido atualmente.

Votação: 11 favoráveis, 9 contrários