Dia de Luta pela Visibilidade Lésbica

29/08/2012 Destaques, Direitos Humanos, LGBT, Mulheres

Nota do Setorial LGBT do PSOL SP

No ultimo dia 24 de agosto, Fernanda e sua namorada Maria foram assassinadas quando deixavam seu local de trabalho. Dois homens de moto atiraram contra elas.Ambas morreram no local, vítimas de um crime brutal de homofobia.

O assassinato aconteceu em Camaçari, na Bahia, mas poderia ter acontecido em qualquer outro lugar.

Hoje, cinco dias depois desse crime, é o Dia da Visibilidade Lésbica, que nada tem para ser comemorado. Nós, mulheres lésbicas e bissexuais ainda sofremos diariamente com a violência machista, lesbofóbica, racista e de classe. Violência psicológica, quando não física, que ocorre nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho, no transporte público, na televisão, e até mesmo em casa.Qualquer mulher que foge dos padrões de comportamento e sexualidade está sujeita a sofre violência lésbofóbica.

Tal violência pode se dar de várias maneiras, as mulheres podem ser xingadas na rua, podem ser atacadas fisicamente, sofrer violência sexual ou violência ao ser inferiorizada por uma piada na televisão.

De acordo com o último relatório sobre violência homofóbica no Brasil, da Secretaria de Direitos Humanos, no ano de 2011 foram reportadas 18,65 violações de direitos humanos de caráter homofóbico por dia; 4, 69 pessoas por dia foram vítimas de violência; 34,5% dessas pessoas tinha identidade de gênero feminino .

É preciso destacar, ainda, que todas estas violências ocorrem em maior quantidade e intensidade na periferia e no interior dos Estados, onde a invisibilidade é ainda maior. E como reflexo da sociedade racista, há maior intensidade na violência contra mulheres lésbicas e bissexuais negras, como no caso relatado acima, onde ambas as vítimas eram negras. Além disso, a opressão também aumenta quando a mulher subverte os padrões considerados femininos de se vestir e de se comportar.

As práticas violentas dessa sociedade  onde a mulher lésbica e bissexual se desliga dessa submissão ao masculino, são cruéis, já que sua orientação sexual é vista como uma afronta ao homem – visto como o único que pode satisfazê-las. Uma mulher que ama outra mulher e se une a ela, quebrando o papel que lhe é dirigido desde o nascimento – construir e cuidar de uma família heterossexual – é jogada na invisibilidade, vista como infeliz emocional e sexualmente.

A lesbofobia, por fim, pode atingir todas as mulheres que ousam escapar da opressão masculina, independente de sua sexualidade, pois todas que negam a submissão ao poder masculino também estão em busca da liberdade ao corpo.

Por isso, nesse dia de luta pela visibilidade, nós mulheres lésbicas e bissexuais do PSOL  queremos unir nossas vozes a todas e todos os oprimidos pelo fim do racismo, do machismo e da homofobia, em busca de uma sociedade onde todas e todos sejamos livres.