17 de Maio: Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia

20/05/2012 Carlos Giannazi, Destaques, LGBT

em São Paulo, lei do deputado Prof. Carlos Giannazi comemora 1 ano

de www.agencialgbt.com.br

 

Hoje se comemora um ano que no estado de São Paulo foi instituído o dia 17 de maio como sendo o Dia de Luta Contra a Homofobia. O PL 495/2007 é de autoria do Deputado Estadual Professor Carlos Giannazi que concedeu uma entrevista exclusiva para a Agência LGBT Brasil para falar sobre o tema.

Completando um ano da lei estadual que faz do dia 17 de maio o Dia de Luta Contra a Homofobia, quais os avanços?
Dep. Carlos Giannazi: O grande avanço na verdade foi a aprovação da lei, pois nós temos uma bancada muito conservadora, relacionária, atrasada e fundamentalista de deputados na Assembleia Legislativa. Eles tem obstruído todos os projetos ligados a defesa da comunidade LGBT e projetos contra a homofobia. Essa bancada, muito forte aqui dentro (da assembleia), tem atrapalhado muito a tramitação de nossos projetos. Temos atualmente próximo de dez projetos tramitando na Assembleia Legislativa e todos estão parados. Então esse projeto que instituiu o dia 17 de maio como o Dia de Luta Contra a Homofobia foi um dos que conseguimos com muito sacrifício e muita luta aprovar, posso dizer que só por esse motivo é uma grande vitoria. Mas tudo isso tem um valor simbólico.
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Por que o dia 17 de maio?
Dep. Carlos Giannazi: Essa data foi a escolhida porque o dia 17 de maio é uma data internacional de combate a homofobia, então claro que nós estamos antenados nessa luta global contra a homofobia no mundo escolhemos para comemorar. O governo, que não joga peso na luta contra a homofobia, hoje não vai se esforçar minimamente para fazer uma comemoração oficial da data. Nós sim vamos criar instrumentos, chamar as entidades para realizar aqui manifestações e atos para comemorar. Essa é uma data de denuncia contra a homofobia e quanto ao respeito a diversidade. Nesse sentido que nós entendemos a vitória, agora o governo não vai mover uma palha para fazer cumprir essa lei, eu tenho certeza disso.
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Você percebe algum preconceito de seus colegas parlamentares por defender as minorias e estar ao lado do público LGBT?
Dep. Carlos Giannazi: Sinto um preconceito velado e não aberto. Não dito, aquele que fica nas entrelinhas, e esse é o pior preconceito. Em relação não só a essa lei já aprovada, mas as nossas outras ações do meu mandato que são ações que batem frontalmente contra a homofobia. Nós denunciamos exaustivamente a homofobia que existe na Assembleia Legislativa, no Executivo, nas Igrejas, na Sociedade, nas Famílias, nas Escolas, então isso incomoda muito a essa bancada fundamentalista. Isso gera um preconceito velado ao nosso mandato que toca na ferida dessa questão da sexualidade. Lidar com a questão da homossexualidade não é fácil, as pessoas não sabem direito o que que é, tem uma interferência religiosa e moralista em cima disso, então as pessoas ficam extremamente incomodadas, quando na verdade não deveriam porque a homossexualidade nada mais é do que uma manifestação da sexualidade, que deve ser respeitada como um ato normal que faz parte do ser humano. Dizia Freud que nós nascemos bissexuais na essência, mas que a cultura tem uma grande influencia na definição de nossa sexualidade. O que deveria ser tido como natural no ser humano, na historia da sexualidade humana, é visto como uma anomalia ou um tabu, isso é um verdadeiro absurdo, um atraso, é mente medieval que pensa dessa maneira e aqui na Assembleia Legislativa, nós temos mentes medievais que pensam dessa maneira, infelizmente.
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Por que o Sr. acha que existe esse tipo de pensamento dentro da Assembléia Legislativa?
Dep. Carlos Giannazi: Isso tem a ver muito por conta das bancadas evangélicas, as religiosas. Mas é uma questão equivocada, pois nós já temos aqui no Brasil as igrejas gays, com outra interpretação da bíblia, inclusive admitindo com muita naturalidade a homossexualidade. Conheço aqui em São Paulo a Igreja Metropolitana com o pastor Valério, que tem um outro olhar.
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Porque o Sr. sempre foi a favor de defender as minorias?
Dep. Carlos Giannazi: Eu sempre atuei nessa área, desde a época que eu era professor. Fui professor de História em escola publica, depois Diretor , professor Universitário, trabalhei com a formação de professores, mas desde a minha entrada no magistério que eu já venho desenvolvendo esse tema porque os homossexuais são duramente perseguidos. Vivemos em uma sociedade heterossexista, onde a norma é ser heterossexual e qualquer outro tipo de comportamento sexual que esteja fora da heterossexualidade é visto como anomalia. Por isso dizemos que nós vivemos em uma sociedade heterossexista. Eu tinha alunos que eram homossexuais e eram discriminados, apanhavam, então sempre fiz um trabalho de conscientização com eles tentando mostrar o que é a homossexualidade. Mostrava que ser homossexual não é uma doença, não é um pecado, não é um crime, não é uma anomalia, não é desvio de comportamento, sempre mostrei que a homossexualidade deve ser aceita como algo normal que faz parte integrante da sexualidade.
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O Sr. possui outros projetos de lei a favor dos LGBT’s, como eles estão?
Dep. Carlos Giannazi: Tenho diversos projetos a favor dos LGBT’s mas estão todos obstruídos nas primeiras comissões pois essa bancada do governo que obstrui, não deixam os projetos prosperarem. Tenho um projeto que cria o dia estadual em defesa das lésbicas, com um enfoque para a mulher homossexual, mas a bancada fundamentalista vai obstruindo e agente não consegue. Tem outro que nós apresentamos ainda em 2007 que foi absorvido pelo governo, que cria a coordenadoria em defesa da comunidade LGBT, e esse projeto acabou se transformando em um projeto do próprio governo que puxou a nossa ideia e criou a Coordenadoria Estadual da Diversidade. Tem um outro projeto que inclui no currículo escolar das escolas municipais a temática da diversidade no combate a homofobia. Temos diversos, um outro que também está paralisado onde obriga a discussão do tema nos cursos de formação das policias Civil e Militar. Eles precisam muito disso para saber lidar com o tema no dia a dia com a população, abordando o que é homofobia e para eles saberem que já existe uma legislação sobre isso, enfim, são projetos importantes na área da formação pessoal. Todos parados pois como eu já disse, essa bancada é perversa e obstrui o máximo possível.

O Deputado Estadual Professor Carlos Giannazi atendeu nosso pedido e conversou sobre o primeiro ano de lei aprovada que institui o dia 17 de maio como o Dia de Luta Contra a Homofobia. Ele possui em seu gabinete umDisk Denuncia contra a homofobia, esse número é muito importante e deve ser usado se for preciso: (11) 3886-6686

da redação